Dom Bosco
Dom Bosco morreu em 31 de janeiro de 1888, em Turim, aos 72 anos. Após sua morte, iniciou-se o processo oficial de reconhecimento de sua santidade.
Em 1907 foi declarado Venerável, em 1929 foi Beatificado pelo Papa Pio XI e em 1934 foi Canonizado pelo Papa Pio XI.
Algumas profecias especificas:
- Lanterna Mágica
- America do Sul e Brasilia
- O sonho dos dois Pilares
- A Profecia de 1870
- Triunfo da Igreja. Proteção da Virgem
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Sognai e mi parea di essere in chiesa. La Chiesa era tutta ripiena di giovani, ma pochi si accostavano alla SS. Comunione. Lungo la balaustrata vi era un uomo lungo lungo, nero nero, sulla testa del quale spuntavano due corna. Esso aveva in mano una lanterna magica e facea vedere ai diversi giovani diverse cose. Ad uno facea vedere la ricreazione tutta animata dai giuochi ed interessavalo nel suo divertimento prediletto; all'altro presentava i giuochi passati, le perdite fatte e la speranza delle vittorie future; a questo il paese nativo con quelle passeggiate, quei campi, quella casa: a chi faceva vedere nella sua lanterna lo studio, i libri, i lavori dei posti; e a chi la frutta, i dolci e il vino che avea nel baule; e a chi i parenti, o gli amici o qualche cosa di peggio, i peccati, ed anche i denari non consegnati. Quindi pochi si accostavano ai sacramenti. Alcuni vedeano le passeggiate, le vacanze e, lasciando da parte tutto, si fermavano a contemplare i compagni antichi dei loro divertimenti.
Sapete che cosa vuol dire questo sogno? Vuol dire che il demonio fa di tutto per distrarre i giovani in Chiesa, per allontanarli dai SS. Sacramenti. Ed i giovani sono così minchioni da stare a vedere. Figliuoli miei, bisogna rompere questa lanterna del diavolo; e sapete come fare? Dare un'occhiata alla Croce e pensare che allontanarsi dalla Comunione è lo stesso che gettarsi in braccio al demonio.'
Tradução:
'1º de maio.
'Tive um sonho no qual me via dentro de uma igreja. A igreja estava repleta de jovens, mas poucos se aproximavam da Sagrada Comunhão. Junto à balaustrada da comunhão, estava uma figura — alta e de um negro profundo — com dois chifres despontando da cabeça. Ele segurava uma lanterna mágica e mostrava várias coisas aos jovens. A um, exibia um momento de lazer animado com jogos, atraindo-o para o seu passatempo favorito; a outro, apresentava jogos do passado, derrotas sofridas e esperanças de vitórias futuras; a um, mostrava a sua aldeia natal — com seus caminhos, campos e o lar; a outros, exibia na lanterna estudos, livros e tarefas de trabalho; a alguns, frutas, doces e vinho guardados em um baú; e a outros, parentes, amigos ou algo pior: pecados e até mesmo dinheiro que não havia sido restituído. Consequentemente, poucos se aproximavam dos sacramentos. Alguns viam cenas de passeios e festas e, deixando tudo o mais de lado, paravam para contemplar os antigos companheiros de suas diversões.
Sabeis o que significa este sonho? Significa que o diabo faz tudo o que pode para distrair os jovens na igreja e afastá-los dos Santos Sacramentos. E os jovens são insensatos o suficiente para ficar ali parados, apenas observando. Meus filhos, devemos destruir essa lanterna do diabo; e sabeis como? Voltando o olhar para a Cruz e refletindo que afastar-se da Comunhão é o mesmo que lançar-se nos braços do diabo.'
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Celulares?
O significado do sonho proposto pelo próprio Dom Bosco, é aceita por muitos como uma citação que apenas coincide com aparelhos eletrónicos mais modernos, encerrando assim a discussão sobre uma possível previsão futura.
Ao analisar com mais profundidade, fica difícil não fazer um paralelo com os modernos aparelhos celulares. Entender que se tratam mesmo de lanternas mágicas do século 19, não explica como tais aparelhos simples poderiam ser descritos assim: ' .. um exibia um momento de lazer animado com jogos, atraindo-o para o seu passatempo favorito; a outro, apresentava jogos do passado, derrotas sofridas e esperanças de vitórias futuras; a um, mostrava a sua aldeia natal ...”
Apesar de lanternas magicas serem mesmo produzidas para crianças como brinquedos, isso não aconteceu de forma realmente massiva até meados de 1880, e o sonho de Dom Bosco foi 15 anos antes. Mesmo em 1880 o produto não era acessível a todos por seu custo, e em 1865 eram ainda mais raros e caros, sendo difícil conceber naquela momento, que variadas crianças poderiam ter acesso ao brinquedo, por seu custo, e leva-los as Igrejas, por suas dimensões, ou seja, não dava para por no bolso. Na melhor das hipóteses a experiência seria coletiva, com um ou alguns tendo acesso a lanternas magicas para a diversão de outros, e isso não explicaria a individualidade da experiência das crianças descrita por Dom Bosco (que chamou isso de lanterna mágica, provavelmente pela analogia a luz emitida).
Pessoalmente não vejo como não imaginar aparelhos celulares, e me parece que até apps bancários foram sugeridos. Não estou sugerindo que celulares sejam aparelhos diabólicos, mas todos reconhecem os malefícios do uso excessivo de celulares, principalmente por crianças, e várias iniciativas globais (e individuais) vem sendo tomadas para inibir isso. E mais que isso, temos que ser vigilantes sobre o conteúdo que crianças e adolescentes tem acesso através eles. Se aliarmos o fator de distração com a disponibilidade de conteúdos com valores morais e comportamentais negativos facilmente acessíveis por crianças e adolescentes, penso que não é dificil entender porque Dom Bosco fez o vinculo do aparelho que viu em sonho, com uma figura diabolica.
' A um, exibia um momento de lazer animado com jogos, atraindo-o para o seu passatempo favorito; a outro, apresentava jogos do passado, derrotas sofridas e esperanças de vitórias futuras; a um, mostrava a sua aldeia natal — com seus caminhos, campos e o lar; a outros, exibia na lanterna estudos, livros e tarefas de trabalho; a alguns, frutas, doces e vinho guardados em um baú; e a outros, parentes, amigos ou algo pior: pecados e até mesmo dinheiro que não havia sido restituído.'
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O que eram as Lanternas mágicas?
As lanternas mágicas do meio do século XIX eram os antepassados dos projetores de slides e de cinema. O dispositivo existisse desde o século XVII, mas foi por volta de 1850 que ele se popularizou, tornando-se o principal meio de entretenimento e educação visual da época.
Era principalmente usado para espetáculos teatrais, fins educacionais e também como brinquedos direcionados as crianças da classe alta e média.
Em 1865 uma lanterna magica custava ao equivalente hoje entre 100 a 160 Euros, em reais (08.10.2026) entre R$ 600,00 e R$ 980,00. Em 1865 na Itália, isso representava ¼ do salario de um operário ou trabalhador não especializado. Então mesmo as versões infantis eram consideradas brinquedos restritos à burguesia e às famílias de classe média-alta urbana.
O aparelho tinha três elementos básicos:
- Fonte de luz interior: Inicialmente usavam-se velas ou lâmpadas de óleo. Na metade do século XIX, a invenção da luzoxídrica (limelight) permitiu projetar imagens muito mais brilhantes em grandes salas de espetáculo.
- Placas de vidro ilustradas: Imagens gravadas ou pintadas à mão sobre placas transparentes de vidro. Posteriormente passou-se a usar fotografias também.
- Conjunto de lentes: Um espelho côncavo atrás da fonte de luz refletia o brilho através da placa de vidro, enquanto uma lente ajustável na frente focava a imagem projetada em uma parede ou tela.
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Possível Previsão sobre Brasilia
Este relato é de setembro de 1883, quando Dom Bosco estava em Turim, Itália, e apesar de nunca ter visitado a América do Sul, descreveu uma viagem visionária pelo continente. Achei interessante trazer todo o texto, que é longo e detalhado. O original em italiano pode ser lido AQUI.
'Dom Bosco relatou esse sonho em 4 de setembro, na sessão matutina do Capítulo Geral. O Padre Lemoyne imediatamente o registrou por escrito, e o Servo de Deus revisou o manuscrito do início ao fim, acrescentando e modificando-o. Imprimiremos em itálico as partes que, no original, revelam a caligrafia do Santo; em contrapartida, incluiremos entre colchetes algumas passagens que o Padre Lemoyne introduziu posteriormente como glosas, graças a explicações adicionais que Dom Bosco lhe deu.
Era a noite anterior à festa de Santa Rosa de Lima [30 de agosto] e eu tive um sonho. Percebi que estava dormindo e, ao mesmo tempo, parecia estar correndo muito, tanto que me senti cansado de correr, falar, escrever e me dedicar às minhas outras ocupações habituais. Enquanto me perguntava se o sonho era real ou não, pareceu-me entrar em uma sala de entretenimento onde havia muitas pessoas conversando sobre diversos assuntos.
Um longo discurso foi dedicado à multidão de selvagens que na Austrália, nas Índias, na China, na África e, mais particularmente, na América, em números imensos, ainda estão sepultados na sombra da morte.
"A Europa", disse um pensador sério, "a Europa cristã, grande mestra da civilização e do catolicismo, parece ter se tornado apática às missões estrangeiras. Poucos são ousados o suficiente para enfrentar longas viagens e terras desconhecidas para salvar as almas de milhões de homens que foram redimidos pelo Filho de Deus, Cristo Jesus."
Outro disse: — Que quantidade de idólatras vive infeliz fora da Igreja e longe do conhecimento do Evangelho somente na América! Os homens pensam (e os geógrafos estão enganados) que as Cordilheiras da América são como um muro que divide aquela grande parte do mundo. Não é assim. Essas longas cadeias de altas montanhas formam muitas baías com mil quilômetros ou mais de extensão. Nelas existem florestas intocadas, plantas, animais e até pedras, das quais há escassez. Carvão, petróleo, chumbo, cobre, ferro, prata e ouro estão escondidos nessas montanhas, nos lugares onde foram colocados pela mão onipotente do Criador para o benefício dos homens. Ó Cordilheiras, Cordilheiras, quão rico é o vosso Oriente!
Naquele momento, senti um forte desejo de pedir explicações e de perguntar quem eram aquelas pessoas reunidas ali e onde eu estava. Mas disse a mim mesmo: "Antes de falar, preciso observar quem são essas pessoas!" E olhei ao redor, curioso. No entanto, todas aquelas pessoas me eram desconhecidas. Elas, como se me vissem pela primeira vez, me convidaram a aproximar e me acolheram gentilmente.
Então perguntei: "Digam-me, por favor! Estamos em Turim, Londres, Madrid, Paris? Onde estamos? E quem são vocês? Com quem tenho o prazer de falar?" Mas todas essas pessoas responderam vagamente, sempre falando sobre as missões.
Naquele instante, um jovem de uns dezesseis anos aproximou-se de mim, encantador por sua beleza sobre-humana e radiante com uma luz mais intensa que a do sol. Seu manto era tecido com riqueza celestial, e sua cabeça era coroada por um gorro cravejado de pedras preciosas brilhantes. Olhando para mim com um olhar benevolente, demonstrou um interesse especial. Seu sorriso expressava uma afeição irresistivelmente cativante. Chamou-me pelo nome, pegou minha mão e começou a falar-me sobre a Congregação Salesiana.
Fiquei fascinado pelo som daquela voz. Em certo momento, interrompi-o: "Com quem tenho a honra de falar? Poderia me dizer seu nome, por favor?" E o jovem respondeu: "Não hesite! Fale com total confiança, você está com um amigo."
— Mas qual é o seu nome?
— Eu lhe diria meu nome se fosse necessário; mas não há necessidade, já que você deve me conhecer.' Ele sorriu ao dizer isso.
Observei com mais atenção aquele rosto envolto em luz. Oh, como era belo! E então o reconheci como o filho do Conde Fiorito Colle de Toulon, um distinto benfeitor de nossa Casa e, em especial, de nossas Missões Americanas. Esse jovem havia falecido pouco tempo antes.
— Ah! Você? — perguntei, chamando-o pelo nome. — Luigi! E quem são todos esses?
— Eles são amigos dos seus salesianos, e eu, como amigo seu e dos salesianos, em nome de Deus, gostaria de lhe oferecer algum trabalho.
— Vamos ver do que se trata. Que tipo de trabalho é esse?
— Fique aqui em frente a esta mesa e depois puxe esta corda para baixo.
No meio daquela grande sala havia uma mesa, sobre a qual estava enrolada uma corda, e vi que essa corda estava marcada como um metro, com linhas e números. Mais tarde, também percebi que aquela sala estava localizada na América do Sul, exatamente na linha do e que os números impressos na corda correspondiam aos graus geográficos de latitude. Então peguei a ponta daquela corda, olhei para ela e vi que no início estava marcado o número zero.
— Ele riu dele.
— E aquele jovem angelical: "Não é hora de rir", disse-me ele. "Veja! O que está escrito na corda?"
— Número zero.
— Puxe um pouco
— Puxei um pouco a corda e lá estava o número I.
— Puxe novamente e faça um grande rolo com a corda.
Puxei e saíram os números 2, 3, 4, até 20.
— Já chega? Eu disse.
— Não; mais alto; mais alto. Vá até encontrar um nó! respondeu o jovem.
Puxei até o número 47, onde encontrei um nó grande. A partir desse ponto, a corda continuava, mas se dividia em muitos fios menores que se espalhavam para o leste, oeste e sul.
— Já chega? — respondi.
“Que número é esse?” perguntou o jovem. “É 47. Quanto é 47 mais 3? 50! E 5 mais 5? 55! Repare: cinquenta e cinco.”
E então ele me disse: - Puxe de novo.
— Cheguei ao fim! — respondi.
— "Agora vire-se e puxe a corda para o outro lado." Puxei a corda para o lado oposto, até o número 10.
O jovem respondeu:
— Atire de novo!
— Não sobrou nada!
— O quê?! Sobrou alguma coisa? Olhe de novo! O que é isso?
— Tem água — respondi.
Na verdade, naquele momento, ocorreu dentro de mim um fenômeno extraordinário, indescritível. Eu estava naquela sala, puxando aquela corda, e, ao mesmo tempo, ela se desdobrava diante dos meus olhos como um panorama de um país imenso, que eu observava quase como um pássaro e que se expandia à medida que a corda era puxada.
Do primeiro zero ao número 55 havia uma imensa terra que, após um estreito de mar, acabou sendo dividida em cem ilhas, uma das quais era muito maior que as outras. Essas ilhas pareciam ser aludidas pelas cordas dispersas que partiam do grande nó. Cada corda levava a uma ilha. Algumas delas eram habitadas por numerosos nativos; outras eram estéreis, áridas, rochosas, desabitadas; outras ainda estavam todas cobertas de neve e gelo. A oeste, havia numerosos grupos de ilhas, habitados por muitos selvagens. [388] [Parece que o nó colocado no número ou grau 47 representava o local de partida, o centro salesiano, a missão principal da qual nossos missionários se ramificavam para as Ilhas Malvinas, para a Terra do Fogo e para as outras ilhas desses países da América].
Do lado oposto, ou seja, de zero a um, a mesma terra continuava e terminava na água que eu vira por último. Aquela água me pareceu ser o Mar das Antilhas, que então vi de uma maneira tão surpreendente que não consigo explicar em palavras.
Então, quando respondi: "Há água!", o jovem retrucou: "Agora some 55 com 1". A que é isso?
E eu:
— Soma 65.
Agora junte tudo e você fará uma corda.
— E então?
— O que tem ali? Na vista.
— A oeste vejo montanhas muito altas, e a leste está o mar!
[Observo aqui que, naquela época, vi em resumo, como em miniatura, tudo o que mais tarde vi, como direi, em seu tamanho e extensão reais, e os graus marcados pela corda, correspondendo exatamente aos graus geográficos de latitude, foram os que me permitiram reter na memória, por vários anos, os pontos sucessivos que visitei durante a viagem na segunda parte deste mesmo sonho].
Meu jovem amigo prosseguiu: "Bem, essas montanhas são como uma costa, uma fronteira. A colheita oferecida aos salesianos se estende até este ponto, até aquele ponto. Há milhares e milhões de pessoas esperando por sua ajuda, esperando por fé."
Essas montanhas eram as Cordilheiras da América do Sul e aquele mar, o Oceano Atlântico.
— E como podemos fazer isso? Continuei; como conseguiremos levar tantas pessoas ao rebanho de Jesus Cristo?
— Como fazer isso? Veja!
E eis que chega Dom Lago [327] carregando uma cesta de figos pequenos e verdes: e disse-me: - Toma, Dom Bosco!
— O que você está me trazendo? — respondi, olhando para o conteúdo da cesta.
— Disseram-me para levar as coisas até ela.
— Mas esses figos não estão bons para comer; não estão maduros.
Então meu jovem amigo pegou aquela cesta, que era muito larga, mas tinha pouco fundo, e me apresentou, dizendo: - Aqui está o presente que estou te dando!
— E o que devo fazer com esses figos?
— E ele mencionou um ponto para mim [389]
Esses figos ainda estão verdes, mas pertencem à grande figueira da vida. E você está procurando uma maneira de fazê-los amadurecer.
— Como assim? Se fossem maiores!... poderiam amadurecer com palha, como outras frutas; mas tão pequenas... tão verdes... É impossível. Na verdade, você deve saber que, para que amadureçam, é preciso garantir que todos esses figos estejam presos à planta novamente.
— Incrível! E o que podemos fazer?
Vejam! — E ele pegou um daqueles figos e o mergulhou num jarro de sangue; depois o mergulhou em outro jarro cheio de água e disse: — Com suor e sangue, os selvagens voltarão a se apegar à planta e a agradar ao senhor da vida.
Pensei: Mas isso leva tempo para acontecer. E então exclamei em voz alta: "Não sei mais o que dizer."
Mas aquele querido jovem, lendo meus pensamentos, prosseguiu: Este evento será alcançado antes que a segunda geração seja concluída.
— E como será a segunda geração?
— Este presente é incontável. Haverá outro, e depois outro.
Falei confuso, confuso e quase gaguejando enquanto ouvia os magníficos destinos que estão preparados para nossa Congregação, e perguntei: - Mas quantos anos cada uma dessas gerações abrange?
— Sessenta anos!
— E depois?
— Quer ver o que acontece? Venha!
E sem saber como, me vi numa estação de trem. Havia muita gente reunida lá. Entramos no trem.
Perguntei onde estávamos. O jovem respondeu: "Preste atenção! Veja! Estamos viajando ao longo da Cordilheira. Você também tem a estrada aberta para o leste, até o mar. É mais uma dádiva do Senhor."
— E em Boston, onde estão nos esperando, quando iremos?
— Tudo a seu tempo. — Dito isso, ele tirou um mapa no qual a diocese de Cartagena estava destacada em letras grandes. [Este foi o ponto de partida.]
Enquanto eu olhava para aquele mapa, a locomotiva apitou e o trem começou a se mover. Durante a viagem, meu amigo falava muito, mas por causa do barulho do trem eu não conseguia entendê-lo completamente. No entanto, aprendi coisas novas e belíssimas sobre astronomia, navegação, meteorologia, mineralogia, fauna, flora e a topografia daquelas regiões, que ele me explicava com maravilhosa precisão. Ao mesmo tempo, ele salpicava suas palavras com uma familiaridade digna e, ao mesmo tempo, terna, que demonstrava o quanto ele me amava. Desde o início, ele segurou minha mão e me manteve afetuosamente perto até o fim do sonho. Às vezes, eu colocava minha outra mão livre na dele, mas ela parecia escorregar debaixo da minha como se estivesse evaporando, e minha mão esquerda só conseguia segurar a direita. O jovem sorriu diante da minha tentativa inútil.
Enquanto isso, eu olhava pelas janelas da caravana e via diante de mim diversas regiões estupendas. Florestas, montanhas, planícies, rios longos e majestosos que eu não acreditava serem tão vastos em regiões tão distantes de suas desembocaduras. Por mais de mil milhas, contornamos a orla de uma floresta virgem, ainda inexplorada hoje. Meu olhar adquiriu um poder visual maravilhoso. Não havia obstáculos para se estender por aquelas regiões. Não consigo explicar como esse fenômeno surpreendente ocorreu em meus olhos. Eu era como alguém em uma colina, vendo uma vasta região se estender a seus pés; se essa pessoa coloca diante dos olhos, a uma pequena distância, uma tira de papel, mesmo que estreita, ela não vê nada ou muito pouco; mas se ela remove essa tira ou simplesmente a levanta ou a abaixa ligeiramente, sua visão pode se estender até o horizonte mais distante. Isso foi o que aconteceu comigo com essa intuição extraordinária que adquiri; mas com esta diferença: conforme eu fixava meu olhar em um ponto, e esse ponto passava diante de mim, era como se cortinas individuais fossem se abrindo sucessivamente, e eu via distâncias infinitas e incalculáveis. Não só avistei as Cordilheiras mesmo à distância, como também contemplei as cadeias montanhosas, isoladas naquelas planícies imensuráveis, em todos os seus mínimos detalhes. [As de Nova Granada, Venezuela, as três Guianas; as do Brasil e da Bolívia, até às suas fronteiras mais distantes].
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Ligação com Brasília
A capital do Brasil está aproximadamente no paralelo 15°50' sul, portanto dentro da faixa mencionada por Dom Bosco.
Em trecho nenhum Dom Bosco fala de Brasília diretamente, e na verdade a possível citação está em um contexto sobre os Salesianos no Brasil, que vieram para o País também em 1883.
O italiano Francesco Tosi Colombina tinha sido recrutado pela administração portuguesa, aparentemente na segunda metade ou fins da década de 1720, para ensinar os novos avanços da cartografia aos catografos brasileiros.
Em 9 de julho de
1852, o senador Holanda Cavalcanti (Visconde de Albuquerque) apresentou no Senado brasileiro um projeto para que o Império fizesse um levantamento de terras
destinadas à futura capital do Brasil. O projeto especificava uma
faixa entre 10° e 15° de latitude sul, entre os rios São
Francisco, Maranhão e Tocantins.
Nenhum destes eventos foi a frente, mas indicavam a Latitude 15° e foram anteriores a 1883, quando Dom Bosco descreveu na Itália, seu sonho ligado a Brasília. A possibilidade de Dom Bosco ter tido acesso a matérias jornalisticas sobre o assunto ou documentos em português do Império português ou brasileiro são pequenas, já que ele viveu praticamente toda sua vida no Piemonte, norte da Itália. Mas era uma pessoa estudiosa, curiosa com o Mundo e interessado na America do Sul, e naquele momento em especial com o Brasil, cuja a Ordem dos Salesianos, a sua Ordem, chegou ao Pais pela 1a. vez justamente no ano de 1883.
Em 1891, oito anos após a revelação do sonho de Dom Bosco na Italia, uma área de 14.400 km² foi estabelecida pelo Artigo 3º da Constituição de 1891 (a primeira Constituição republicana do Brasil), que determinou a reserva dessa extensão de terras no Planalto Central para a futura instalação da capital federal.
Alguns afirmam que as palavras do sonho de Dom Bosco, foram (são) propositalmente interpretadas e utilizadas para justificar a construção de Brasília, mas a ideia de uma Capital no planalto central do Brasil é anterior ao sonho de Dom Bosco.
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E o sonho de Dom Bosco sobre a America do Sul continua:
Entretanto, o comboio continuou a correr e a correr, e a virar para um lado e para o outro, até que finalmente parou. Aqui grande parte dos viajantes desembarcou, passando por baixo das Cordilheiras, indo para oeste.
Dom Bosco mencionou a Bolívia. A estação era talvez La Paz, onde um túnel que dava acesso à costa do Pacífico poderia conectar o Brasil a Lima por meio de outra linha férrea.
O trem recomeçou a se mover, seguindo em frente. Como na primeira parte da viagem, atravessamos florestas, entramos em túneis, cruzamos viadutos gigantescos, adentramos desfiladeiros, contornamos lagos e pântanos por pontes, cruzamos rios largos, percorremos pradarias e planícies. Passamos pelas margens do Uruguai. Pensei que fosse um rio de correnteza lenta, mas, na verdade, era muito extenso. Em certo ponto, vi o Rio Paraná se aproximando do Uruguai, como se fosse lhe entregar seu tributo de águas, mas, em vez disso, depois de correr quase paralelo por um trecho, afastou-se dele em uma ampla curva. Ambos os rios eram muito largos. [A julgar por esses poucos dados, parece que essa futura linha férrea, partindo de Ia-Paz, chegará a Santa Cruz, passará pela única abertura na Serra da Cruz e será cruzada pelo Rio Guapay; cruzará o Rio Parapiti na província de Chiquitos, na Bolívia; e atravessará o extremo norte da República do Paraguai.] A ferrovia entrará na província de São Paulo, no Brasil, e de lá terminará no Rio de Janeiro. De uma estação intermediária na província de São Paulo, partirá a linha férrea que, passando entre o Rio Paraná e o Rio Uruguai, conectará a capital do Brasil com a República do Uruguai e a República Argentina.
E o trem continuou descendo, virando para um lado e para o outro, e depois de muito tempo parou pela segunda vez. Ali, muitas outras pessoas desembarcaram do trem, que também passou por baixo das cordilheiras, rumo ao oeste. [Dom Bosco indicou a província de Mendoza, na República Argentina. Portanto, a estação era provavelmente Mendoza e aquele túnel levava a Santiago, a capital da República do Chile.]
O trem retomou sua jornada através dos Pampas e da Patagônia. Os campos cultivados e as casas dispersas indicavam que a civilização estava se apoderando daqueles desertos.
No início da Patagônia, passamos por um braço do Rio Colorado, ou Rio Chubut [ou talvez Rio Negro?]. Não consegui ver para que lado a correnteza fluía, em direção à Cordilheira ou ao Atlântico. Tentei resolver esse meu problema, mas não consegui me orientar.
Finalmente chegamos ao Estreito de Magalhães, ele estava observando. Desembarcamos. Ele tinha Punta Arenas diante de si. O chão por vários Kms estava coberto de depósitos de carvão, tábuas, vigas, madeira, imensas pilhas de metal, algumas brutas, outras trabalhadas. Longas fileiras de vagões de carga estavam sobre os trilhos.'
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Em 1862, ano em que Dom Bosco narrou o Sonho dos Dois Pilares, a Itália vivia um dos momentos mais conturbados e dramáticos de sua história moderna: o ápice do processo de Unificação Italiana, e o choque direto entre o novo Estado laico e a Santa Sé. O original em italiano pode ser lido AQUI, registrado nas Memorie Biografiche, volume VII.
'Quero contar-lhes um sonho. É verdade que quem sonha não raciocina, mas eu, que até vos confessaria os meus pecados se não tivesse medo de vos fazer fugir e a casa desabar, conto-o para o vosso bem espiritual. Tive esse sonho há alguns dias.
Imagine-se comigo na beira-mar, ou melhor, em uma rocha isolada, sem ver terra alguma além do que se vê sob seus pés. Através daquela vasta extensão de água, você vê uma multidão inumerável de navios dispostos para a batalha, suas proas encimadas por um aríete de ferro afiado como uma flecha, que, onde quer que seja cravado, perfura tudo. Esses navios estão armados com canhões, rifles, outras armas de todos os tipos, materiais incendiários e até livros, e avançam em direção a um navio muito maior e mais alto do que todos eles, tentando atingi-lo com seu aríete, incendiá-lo ou causar-lhe todos os tipos de danos possíveis.
Aquele majestoso navio, totalmente equipado, é escoltado por muitas pequenas embarcações, que recebem sinais de comando dele e realizam manobras para se defenderem das frotas inimigas. O vento está contra eles e o mar agitado parece favorecer os inimigos.
Em meio à imensidão do mar, duas colunas robustas e altíssimas emergem das ondas, não muito distantes uma da outra. Acima de uma delas está a estátua da Virgem Imaculada, aos pés da qual pende uma grande placa com a inscrição: " Auxilium Christianorum" (Auxílio dos Cristãos); sobre a outra, muito mais alta e espessa, encontra-se uma Hóstia de tamanho proporcional à coluna, e abaixo dela outra placa com os dizeres: "Salus Credentium" (Salvação da Fé).
O comandante supremo do grande navio, o Pontífice Romano, vendo a fúria de seus inimigos e a situação desesperadora em que seus fiéis se encontravam, decide convocar os pilotos das embarcações menores para um conselho a fim de decidir o que fazer. Todos os pilotos embarcam e se reúnem ao redor do Papa. Realizam uma reunião, mas, à medida que o vento e a tempestade se intensificam, são enviados de volta para pilotar seus próprios navios.
Após uma breve calmaria, o Papa reúne os pilotos ao seu redor pela segunda vez, enquanto o navio do capitão continua seu curso. Mas a terrível tempestade retorna.
O Papa está no comando e todos os seus esforços estão concentrados em levar o navio entre aquelas duas colunas, de cujos topos pendem inúmeras âncoras e grandes ganchos presos a correntes.
Os navios inimigos se movem para atacá-la e tentam de todas as maneiras de detê-la e afundá-la. Alguns usam os escritos, livros e materiais incendiários que carregam e tentam lançar a bordo; outros usam canhões, rifles e aríetes: a luta se torna cada vez mais feroz. As proas inimigas a golpeiam violentamente, mas seus esforços e ímpeto são em vão. Tentam novamente em vão e desperdiçam todos os seus esforços e munição: o grande navio segue seu caminho com segurança e confiança. Às vezes, atingido por golpes formidáveis, sofre uma rachadura larga e profunda em seus flancos, mas assim que o dano é feito, uma lufada de vento sopra dos dois pilares e as frestas se fecham e os buracos são bloqueados.
Entretanto, os canhões dos atacantes explodem, rifles, todas as outras armas, e seus bicos são estilhaçados; muitos navios são destruídos e afundam no mar. Então, os inimigos furiosos começam a lutar com armas curtas; com as mãos, com os punhos, com blasfêmias e maldições.
Então, eis que o Papa, gravemente ferido, cai. Imediatamente, aqueles que estavam com ele correm para ajudá-lo e o levantam. O Papa é atingido uma segunda vez, cai novamente e morre. Um grito de vitória e alegria ressoa entre os inimigos; em seus navios, vê-se uma júbilo indizível. Mas, assim que o Pontífice morre, outro Papa toma o seu lugar. Os pilotos reunidos o elegeram tão repentinamente que a notícia da morte do Papa chega junto com a notícia da eleição de seu sucessor. Os adversários começam a perder a coragem.
O novo Papa, vencendo todos os obstáculos, conduziu o navio até as duas colunas e, chegando entre elas, amarrou-o com uma pequena corrente que pendia da proa a uma âncora na coluna onde estava a Hóstia; e com outra pequena corrente que pendia da popa, amarrou-o no lado oposto a outra âncora que pendia da coluna onde estava a Virgem Imaculada.
Então ocorre uma grande reviravolta. Todos os navios que até então lutavam contra aquele em que o Papa estava sentado fogem, se dispersam, colidem e se chocam uns contra os outros. Alguns afundam uns aos outros e tentam afundar outros. Algumas pequenas embarcações que haviam lutado bravamente ao lado do Papa são as primeiras a chegar e se amarram às colunas.
Muitos outros navios, que haviam recuado por medo da batalha, estão localizados a grande distância e observam prudentemente, até que os destroços de todos os navios naufragados desapareçam nos redemoinhos do mar. Remam com grande esforço em direção às duas colunas, onde, ao chegarem, se prendem aos ganchos que pendem delas, e ali permanecem calmos e seguros, junto ao navio principal onde está o Papa. Uma grande calma reina no mar.
Nesse momento, Dom Bosco perguntou a Dom Rua: - O que você acha dessa história?
Dom Rua respondeu: "Parece-me que o navio do Papa é a Igreja, da qual ele é o Chefe: os navios são os homens, o mar é este mundo. Aqueles que defendem o grande navio são os bons devotos da Santa Sé, os outros são seus inimigos, que com todo tipo de arma tentam destruí-lo. Os dois pilares da salvação me parecem ser a devoção à Bem-Aventurada Virgem Maria e ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia."
Dom Rua não mencionou o Papa caído e morto, e Dom Bosco também permaneceu em silêncio sobre o assunto.
As conjecturas que os jovens fizeram sobre este sonho foram muitas, especialmente a respeito do Papa; mas Dom Bosco não acrescentou mais explicações.'
No sonho de Dom Bosco, um Papa morre assassinado em um contexto de ataque físico contra a Igreja Católica, assim como predito por Nsa. Sra. de Fátima, predito nas profecias de São Malaquias, predito por Padre Pio, por Catharine Emmerich, por Jeanne Dixon e outras fontes proféticas. Como isso ainda não aconteceu, tendo em conta as Fontes e seus acertos anteriores, considera-se que se trata de uma previsão do futuro, mesmo porque este contexto está na Relevação, na Bíblia.
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O original em italiano pode ser lido AQUI, registrado nas Memorie Biografiche, volume IX.
Dom Bosco narra que: 'Na véspera da Epifania deste ano, 1870, todos os objetos materiais do quarto desapareceram, e eu me vi contemplando coisas sobrenaturais. Foi uma questão de breves momentos, mas muito foi visto. Embora possuam forma e aparência perceptível, não podem ser comunicadas a outros sem grande dificuldade por meio de sinais externos e perceptíveis. Uma ideia disso pode ser obtida a partir do seguinte. Eis a palavra de Deus adaptada à palavra do homem.
Do Sul vem a guerra, do Norte vem a paz.
As leis da França já não reconhecem o Criador, e o Criador se fará conhecido e a visitará três vezes com a vara de sua fúria.
Na primeira, ele demolirá seu orgulho, com derrotas, com a pilhagem e o massacre de plantações, animais e homens.
Na segunda, a grande prostituta da Babilônia, aquela que as pessoas de bem chamam, com um suspiro, de bordel da Europa, será decapitada em meio à desordem.
Paris... Paris! ! ...em vez de se armar com o nome do Senhor, você se cerca de casas de imoralidade. Elas serão destruídas por você: seu ídolo, o Panteão, será reduzido a cinzas, para que se confirme a mentira. Seus inimigos a afligirão, a farão passar fome, terror e a ser odiada pelas nações. Mas ai de você se não reconhecer a mão que a fere! Quero punir a imoralidade, o abandono e o desprezo pela minha lei, diz o Senhor.
No terceiro período, vocês cairão em mãos estrangeiras: seus inimigos de longe verão seus palácios em chamas, suas moradas transformadas em um monte de ruínas, encharcadas com o sangue de seus guerreiros que já não existem mais.'
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Mas tu, Itália, terra de bênçãos, quem te mergulhou na desolação? Não digas teus inimigos, mas teus amigos. Não ouves que teus filhos pedem o pão da fé e não encontram ninguém que o parta para eles? Que farei? Ferirei os pastores, dispersarei o rebanho, para que os que estão assentados na cadeira de Moisés busquem bons pastos e o rebanho, obedientemente, ouça e seja alimentado.
Mas a mão pesará muito sobre o rebanho e sobre os pastores; a fome, a pestilência, a guerra garantirão que as mães terão de chorar pelo sangue dos seus filhos e maridos que morreram em território inimigo.
E o que será de ti, ó Roma? Roma ingrata, Roma efeminada, Roma orgulhosa! Chegaste ao ponto em que nada buscas, nem admiras nada em teu Soberano, exceto o luxo, esquecendo-te de que a tua glória e a dele repousam no Gólgota. Agora ele está velho, decrépito, indefeso e despojado; contudo, com suas palavras servil, faz o mundo inteiro tremer.
Roma! ... Irei ter contigo quatro vezes!
No dia 1, atacarei suas terras e seus habitantes.
Na segunda, trarei matança e extermínio até aos vossos muros. Ainda não abristes os olhos?
Virei pela terceira vez, derrubarei as defesas e os defensores e, por ordem do Pai, o reinado do terror, do medo e da desolação tomará conta.
Mas os meus sábios fogem, e a minha lei continua a ser pisoteada; por isso, farei uma quarta visita. Ai de vós se a minha lei ainda vos for um nome vazio! Transgressões surgirão entre os sábios e os ignorantes. O vosso sangue e o sangue dos vossos filhos lavarão as manchas que fizerdes na lei do vosso Deus.
Guerra, peste e fome são os flagelos que afligem o orgulho e a malícia dos homens. Onde estão, ó ricos, a vossa magnificência, as vossas vilas, os vossos palácios? Tornaram-se o lixo das praças e ruas!
Mas vocês, sacerdotes, por que não correm chorando entre o vestíbulo e o altar, implorando pelo fim das pragas? Por que não empunham o escudo da fé e vão aos telhados, às casas, às ruas, às praças, a todos os lugares, até mesmo aos mais inacessíveis, para levar a semente da minha palavra? Acaso não sabem que esta é a terrível espada de dois gumes que esmaga os meus inimigos e quebra a ira de Deus e dos homens?
Essas coisas inevitavelmente acontecem uma após a outra.
As coisas estão acontecendo muito lentamente.'
Os cenários descritos para França e Itália podem ser compreendidos no contexto da 1a guerra mundial e da 2a guerra mundial, em 1914-1918 e 1939-1945, lembrando que o sonho de Dom Bosco foi em 1870.
Mas quando este contexto engloba o Vaticano (Dom Bosco usa a palavra Roma, até hoje amplamente usada), a situação é diferente.
O Estado do Vaticano só passou a existir em 11 de fevereiro de 1929, pelo Tratado de Latrão, portanto depois da 1a. Guerra mundial. E seu território nunca foi atingido nestas guerras, as maiores guerras que já ocorreram na Europa e no mundo. A cidade de Roma foi alvo de alguns bombardeios na 2a. Guerra, que não atingiram o Vaticano.
Então os cenários descritos para França e Itália podem até ser compreendidos no contexto das duas guerras mundiais, mas sobre o Vaticano (Roma) não.
A narrativa de um ataque fisico contra a sede da Igreja Católica (Roma, Vaticano) é presente em uma série de profecias de fontes fidedignas, e está na Relevação da Biblia.
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Triunfo da Igreja. Proteção da Virgem
Narrativa de Dom Bosco, feita entre maio e junho de 1873, registrada no livro “I sogni profeticidi San Giovanni Bosco” (Os Sonhos Proféticos de São João Bosco), página 102.
'Era uma noite escura, e os homens já não conseguiam discernir o caminho de volta às suas terras, quando uma luz brilhante surgiu no céu, iluminando os passos dos viajantes como se fosse meio-dia. Naquele momento, uma multidão de homens, mulheres, idosos, crianças, monges, freiras e sacerdotes — liderada pelo Pontífice — foi vista saindo do Vaticano e formando uma procissão.
Mas então surgiu uma tempestade furiosa; obscurecendo parcialmente aquela luz, parecia que uma batalha estava sendo travada entre a luz e as trevas. Enquanto isso, chegaram a uma pequena praça coberta de mortos e feridos, muitos dos quais clamavam em voz alta por socorro.
As fileiras da procissão diminuíram consideravelmente. Após caminharem uma distância equivalente a duzentos amanheceres, todos perceberam que já não estavam em Roma. O desânimo tomou conta dos corações, e todos se reuniram ao redor do Pontífice para protegê-lo e atender às suas necessidades.
Naquele instante, dois anjos foram vistos aproximando-se do Pontífice com um estandarte, que lhe apresentaram dizendo: "Recebei a bandeira daquela que combate e dispersa os exércitos mais poderosos da terra. Vossos inimigos desapareceram; vossos filhos clamam pelo vosso retorno com lágrimas e suspiros."
Ao contemplar o estandarte, via-se escrito de um lado: *Regina sine labe Concepta*; e do outro: *Auxilium Christianorum*.
O Pontífice aceitou o estandarte com alegria, mas, ao olhar para o pequeno número de pessoas que permaneciam ao seu redor, sentiu profunda angústia. Os dois anjos acrescentaram: "Ide imediatamente consolar os vossos filhos. Escrevei aos vossos irmãos espalhados pelas várias partes do mundo que é necessária uma reforma nos costumes da humanidade. Isso não poderá ser alcançado a menos que o pão da Palavra Divina seja repartido entre os povos. Catequizai as crianças; pregai o desapego das coisas terrenas. Chegou o momento", concluíram os dois anjos, "em que os pobres serão os evangelizadores das nações. Levitas serão buscados entre a enxada, a pá e o martelo, para que se cumpram as palavras de Davi: Deus levantou o pobre do pó para colocá-lo no trono dos príncipes do Seu povo."
Ao ouvir isso, o Pontífice pôs-se a caminho, e as fileiras da procissão começaram a engrossar.
Ao pisar na Cidade Santa, chorou diante da desolação em que se encontravam os cidadãos — muitos dos quais já não existiam mais. Ao retornar à Basílica de São Pedro, entoou o *Te Deum*, ao qual um coro de anjos respondeu cantando: "Gloria in Excelsis Deo, et in terra pax hominibus bonae voluntatis."
Quando o canto cessou, toda a escuridão dissipou-se completamente e um sol radiante brilhou.
As populações das cidades, vilas e áreas rurais haviam sido drasticamente reduzidas; a terra estava castigada como se por um furacão, um aguaceiro torrencial e granizo; e as pessoas aproximavam-se umas das outras com os corações profundamente comovidos, dizendo: "Est Deus in Israel."
Desde o início do exílio até o canto do *Te Deum*, o sol havia nascido duzentas vezes.
Todo o tempo decorrido durante o desenrolar desses acontecimentos corresponde a quatrocentos nasceres do sol.'
O texto exibe um cenário de conflito e mortes, o qual o Papa terá que sair do Vaticano, e é seguido por 'uma multidão de homens, mulheres, idosos, crianças, monges, freiras e sacerdotes'. E também é explicado o triunfo final do Bem,
A narrativa profética é similar a uma série de outras que versam sobre o cenário de um ataque bélico ao Vaticano, sobre a grande destruição que ocorrerá, sobre a necessidade da fuga de um Papa e também sua morte.
Por exemplo, compare com o 3o.Segredo revelado em Fátima, em 1917 (trecho):












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