Dom Bosco
Dom Bosco morreu em 31 de janeiro de 1888, em Turim, aos 72 anos. Após sua morte, iniciou-se o processo oficial de reconhecimento de sua santidade.
Em 1907 foi declarado Venerável, em 1929 foi Beatificado pelo Papa Pio XI e em 1934 foi Canonizado pelo Papa Pio XI.
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Sognai e mi parea di essere in chiesa. La Chiesa era tutta ripiena di giovani, ma pochi si accostavano alla SS. Comunione. Lungo la balaustrata vi era un uomo lungo lungo, nero nero, sulla testa del quale spuntavano due corna. Esso aveva in mano una lanterna magica e facea vedere ai diversi giovani diverse cose. Ad uno facea vedere la ricreazione tutta animata dai giuochi ed interessavalo nel suo divertimento prediletto; all'altro presentava i giuochi passati, le perdite fatte e la speranza delle vittorie future; a questo il paese nativo con quelle passeggiate, quei campi, quella casa: a chi faceva vedere nella sua lanterna lo studio, i libri, i lavori dei posti; e a chi la frutta, i dolci e il vino che avea nel baule; e a chi i parenti, o gli amici o qualche cosa di peggio, i peccati, ed anche i denari non consegnati. Quindi pochi si accostavano ai sacramenti. Alcuni vedeano le passeggiate, le vacanze e, lasciando da parte tutto, si fermavano a contemplare i compagni antichi dei loro divertimenti.
Sapete che cosa vuol dire questo sogno? Vuol dire che il demonio fa di tutto per distrarre i giovani in Chiesa, per allontanarli dai SS. Sacramenti. Ed i giovani sono così minchioni da stare a vedere. Figliuoli miei, bisogna rompere questa lanterna del diavolo; e sapete come fare? Dare un'occhiata alla Croce e pensare che allontanarsi dalla Comunione è lo stesso che gettarsi in braccio al demonio.'
Tradução:
'1º de maio.
'Tive um sonho no qual me via dentro de uma igreja. A igreja estava repleta de jovens, mas poucos se aproximavam da Sagrada Comunhão. Junto à balaustrada da comunhão, estava uma figura — alta e de um negro profundo — com dois chifres despontando da cabeça. Ele segurava uma lanterna mágica e mostrava várias coisas aos jovens. A um, exibia um momento de lazer animado com jogos, atraindo-o para o seu passatempo favorito; a outro, apresentava jogos do passado, derrotas sofridas e esperanças de vitórias futuras; a um, mostrava a sua aldeia natal — com seus caminhos, campos e o lar; a outros, exibia na lanterna estudos, livros e tarefas de trabalho; a alguns, frutas, doces e vinho guardados em um baú; e a outros, parentes, amigos ou algo pior: pecados e até mesmo dinheiro que não havia sido restituído. Consequentemente, poucos se aproximavam dos sacramentos. Alguns viam cenas de passeios e festas e, deixando tudo o mais de lado, paravam para contemplar os antigos companheiros de suas diversões.
Sabeis o que significa este sonho? Significa que o diabo faz tudo o que pode para distrair os jovens na igreja e afastá-los dos Santos Sacramentos. E os jovens são insensatos o suficiente para ficar ali parados, apenas observando. Meus filhos, devemos destruir essa lanterna do diabo; e sabeis como? Voltando o olhar para a Cruz e refletindo que afastar-se da Comunhão é o mesmo que lançar-se nos braços do diabo.'
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Celulares?
O significado do sonho proposto pelo próprio Dom Bosco, é aceita por muitos como uma citação que apenas coincide com aparelhos eletrónicos mais modernos, encerrando assim a discussão sobre uma possível previsão futura.
Ao analisar com mais profundidade, fica difícil não fazer um paralelo com os modernos aparelhos celulares. Entender que se tratam mesmo de lanternas mágicas do século 19, não explica como tais aparelhos simples poderiam ser descritos assim: ' .. um exibia um momento de lazer animado com jogos, atraindo-o para o seu passatempo favorito; a outro, apresentava jogos do passado, derrotas sofridas e esperanças de vitórias futuras; a um, mostrava a sua aldeia natal ...”
Apesar de lanternas magicas serem mesmo produzidas para crianças como brinquedos, isso não aconteceu de forma realmente massiva até meados de 1880, e o sonho de Dom Bosco foi 15 anos antes. Mesmo em 1880 o produto não era acessível a todos por seu custo, e em 1865 eram ainda mais raros e caros, sendo difícil conceber naquela momento, que variadas crianças poderiam ter acesso ao brinquedo, por seu custo, e leva-los as Igrejas, por suas dimensões, ou seja, não dava para por no bolso. Na melhor das hipóteses a experiência seria coletiva, com um ou alguns tendo acesso a lanternas magicas para a diversão de outros, e isso não explicaria a individualidade da experiência das crianças descrita por Dom Bosco (que chamou isso de lanterna mágica, provavelmente pela analogia a luz emitida).
Pessoalmente não vejo como não imaginar aparelhos celulares, e me parece que até apps bancários foram sugeridos. Não estou sugerindo que celulares sejam aparelhos diabólicos, mas todos reconhecem os malefícios do uso excessivo de celulares, principalmente por crianças, e várias iniciativas globais (e individuais) vem sendo tomadas para inibir isso. E mais que isso, temos que ser vigilantes sobre o conteúdo que crianças e adolescentes tem acesso através eles. Se aliarmos o fator de distração com a disponibilidade de conteúdos com valores morais e comportamentais negativos facilmente acessíveis por crianças e adolescentes, penso que não é dificil entender porque Dom Bosco fez o vinculo do aparelho que viu em sonho, com uma figura diabolica.
' A um, exibia um momento de lazer animado com jogos, atraindo-o para o seu passatempo favorito; a outro, apresentava jogos do passado, derrotas sofridas e esperanças de vitórias futuras; a um, mostrava a sua aldeia natal — com seus caminhos, campos e o lar; a outros, exibia na lanterna estudos, livros e tarefas de trabalho; a alguns, frutas, doces e vinho guardados em um baú; e a outros, parentes, amigos ou algo pior: pecados e até mesmo dinheiro que não havia sido restituído.'
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O que eram as Lanternas mágicas?
As lanternas mágicas do meio do século XIX eram os antepassados dos projetores de slides e de cinema. O dispositivo existisse desde o século XVII, mas foi por volta de 1850 que ele se popularizou, tornando-se o principal meio de entretenimento e educação visual da época.
Era principalmente usado para espetáculos teatrais, fins educacionais e também como brinquedos direcionados as crianças da classe alta e média.
Em 1865 uma lanterna magica custava ao equivalente hoje entre 100 a 160 Euros, em reais (08.10.2026) entre R$ 600,00 e R$ 980,00. Em 1865 na Itália, isso representava ¼ do salario de um operário ou trabalhador não especializado. Então mesmo as versões infantis eram consideradas brinquedos restritos à burguesia e às famílias de classe média-alta urbana.
O aparelho tinha três elementos básicos:
- Fonte de luz interior: Inicialmente usavam-se velas ou lâmpadas de óleo. Na metade do século XIX, a invenção da luzoxídrica (limelight) permitiu projetar imagens muito mais brilhantes em grandes salas de espetáculo.
- Placas de vidro ilustradas: Imagens gravadas ou pintadas à mão sobre placas transparentes de vidro. Posteriormente passou-se a usar fotografias também.
- Conjunto de lentes: Um espelho côncavo atrás da fonte de luz refletia o brilho através da placa de vidro, enquanto uma lente ajustável na frente focava a imagem projetada em uma parede ou tela.
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Possível Previsão sobre Brasilia
Este relato é de setembro de 1883, quando Dom Bosco estava em Turim, Itália, e apesar de nunca ter visitado a América do Sul, descreveu uma viagem visionária pelo continente. O texto é longo e detalhado. O original em italiano pode ser lido AQUI.
'Dom Bosco relatou esse sonho em 4 de setembro, na sessão matutina do Capítulo Geral. O Padre Lemoyne imediatamente o registrou por escrito, e o Servo de Deus revisou o manuscrito do início ao fim, acrescentando e modificando-o. Imprimiremos em itálico as partes que, no original, revelam a caligrafia do Santo; em contrapartida, incluiremos entre colchetes algumas passagens que o Padre Lemoyne introduziu posteriormente como glosas, graças a explicações adicionais que Dom Bosco lhe deu.
Era a noite anterior à festa de Santa Rosa de Lima [30 de agosto] e eu tive um sonho. Percebi que estava dormindo e, ao mesmo tempo, parecia estar correndo muito, tanto que me senti cansado de correr, falar, escrever e me dedicar às minhas outras ocupações habituais. Enquanto me perguntava se o sonho era real ou não, pareceu-me entrar em uma sala de entretenimento onde havia muitas pessoas conversando sobre diversos assuntos.
Um longo discurso foi dedicado à multidão de selvagens que na Austrália, nas Índias, na China, na África e, mais particularmente, na América, em números imensos, ainda estão sepultados na sombra da morte.
"A Europa", disse um pensador sério, "a Europa cristã, grande mestra da civilização e do catolicismo, parece ter se tornado apática às missões estrangeiras. Poucos são ousados o suficiente para enfrentar longas viagens e terras desconhecidas para salvar as almas de milhões de homens que foram redimidos pelo Filho de Deus, Cristo Jesus."
Outro disse: — Que quantidade de idólatras vive infeliz fora da Igreja e longe do conhecimento do Evangelho somente na América! Os homens pensam (e os geógrafos estão enganados) que as Cordilheiras da América são como um muro que divide aquela grande parte do mundo. Não é assim. Essas longas cadeias de altas montanhas formam muitas baías com mil quilômetros ou mais de extensão. Nelas existem florestas intocadas, plantas, animais e até pedras, das quais há escassez. Carvão, petróleo, chumbo, cobre, ferro, prata e ouro estão escondidos nessas montanhas, nos lugares onde foram colocados pela mão onipotente do Criador para o benefício dos homens. Ó Cordilheiras, Cordilheiras, quão rico é o vosso Oriente!
Naquele momento, senti um forte desejo de pedir explicações e de perguntar quem eram aquelas pessoas reunidas ali e onde eu estava. Mas disse a mim mesmo: "Antes de falar, preciso observar quem são essas pessoas!" E olhei ao redor, curioso. No entanto, todas aquelas pessoas me eram desconhecidas. Elas, como se me vissem pela primeira vez, me convidaram a aproximar e me acolheram gentilmente.
Então perguntei: "Digam-me, por favor! Estamos em Turim, Londres, Madrid, Paris? Onde estamos? E quem são vocês? Com quem tenho o prazer de falar?" Mas todas essas pessoas responderam vagamente, sempre falando sobre as missões.
Naquele instante, um jovem de uns dezesseis anos aproximou-se de mim, encantador por sua beleza sobre-humana e radiante com uma luz mais intensa que a do sol. Seu manto era tecido com riqueza celestial, e sua cabeça era coroada por um gorro cravejado de pedras preciosas brilhantes. Olhando para mim com um olhar benevolente, demonstrou um interesse especial. Seu sorriso expressava uma afeição irresistivelmente cativante. Chamou-me pelo nome, pegou minha mão e começou a falar-me sobre a Congregação Salesiana.
Fiquei fascinado pelo som daquela voz. Em certo momento, interrompi-o: "Com quem tenho a honra de falar? Poderia me dizer seu nome, por favor?" E o jovem respondeu: "Não hesite! Fale com total confiança, você está com um amigo."
— Mas qual é o seu nome?
— Eu lhe diria meu nome se fosse necessário; mas não há necessidade, já que você deve me conhecer.' Ele sorriu ao dizer isso.
Observei com mais atenção aquele rosto envolto em luz. Oh, como era belo! E então o reconheci como o filho do Conde Fiorito Colle de Toulon, um distinto benfeitor de nossa Casa e, em especial, de nossas Missões Americanas. Esse jovem havia falecido pouco tempo antes.
— Ah! Você? — perguntei, chamando-o pelo nome. — Luigi! E quem são todos esses?
— Eles são amigos dos seus salesianos, e eu, como amigo seu e dos salesianos, em nome de Deus, gostaria de lhe oferecer algum trabalho.
— Vamos ver do que se trata. Que tipo de trabalho é esse?
— Fique aqui em frente a esta mesa e depois puxe esta corda para baixo.
No meio daquela grande sala havia uma mesa, sobre a qual estava enrolada uma corda, e vi que essa corda estava marcada como um metro, com linhas e números. Mais tarde, também percebi que aquela sala estava localizada na América do Sul, exatamente na linha do e que os números impressos na corda correspondiam aos graus geográficos de latitude. Então peguei a ponta daquela corda, olhei para ela e vi que no início estava marcado o número zero.
— Ele riu dele.
— E aquele jovem angelical: "Não é hora de rir", disse-me ele. "Veja! O que está escrito na corda?"
— Número zero.
— Puxe um pouco
— Puxei um pouco a corda e lá estava o número I.
— Puxe novamente e faça um grande rolo com a corda.
Puxei e saíram os números 2, 3, 4, até 20.
— Já chega? Eu disse.
— Não; mais alto; mais alto. Vá até encontrar um nó! respondeu o jovem.
Puxei até o número 47, onde encontrei um nó grande. A partir desse ponto, a corda continuava, mas se dividia em muitos fios menores que se espalhavam para o leste, oeste e sul.
— Já chega? — respondi.
“Que número é esse?” perguntou o jovem. “É 47. Quanto é 47 mais 3? 50! E 5 mais 5? 55! Repare: cinquenta e cinco.”
E então ele me disse: - Puxe de novo.
— Cheguei ao fim! — respondi.
— "Agora vire-se e puxe a corda para o outro lado." Puxei a corda para o lado oposto, até o número 10.
O jovem respondeu:
— Atire de novo!
— Não sobrou nada!
— O quê?! Sobrou alguma coisa? Olhe de novo! O que é isso?
— Tem água — respondi.
Na verdade, naquele momento, ocorreu dentro de mim um fenômeno extraordinário, indescritível. Eu estava naquela sala, puxando aquela corda, e, ao mesmo tempo, ela se desdobrava diante dos meus olhos como um panorama de um país imenso, que eu observava quase como um pássaro e que se expandia à medida que a corda era puxada.
Do primeiro zero ao número 55 havia uma imensa terra que, após um estreito de mar, acabou sendo dividida em cem ilhas, uma das quais era muito maior que as outras. Essas ilhas pareciam ser aludidas pelas cordas dispersas que partiam do grande nó. Cada corda levava a uma ilha. Algumas delas eram habitadas por numerosos nativos; outras eram estéreis, áridas, rochosas, desabitadas; outras ainda estavam todas cobertas de neve e gelo. A oeste, havia numerosos grupos de ilhas, habitados por muitos selvagens. [388] [Parece que o nó colocado no número ou grau 47 representava o local de partida, o centro salesiano, a missão principal da qual nossos missionários se ramificavam para as Ilhas Malvinas, para a Terra do Fogo e para as outras ilhas desses países da América].
Do lado oposto, ou seja, de zero a um, a mesma terra continuava e terminava na água que eu vira por último. Aquela água me pareceu ser o Mar das Antilhas, que então vi de uma maneira tão surpreendente que não consigo explicar em palavras.
Então, quando respondi: "Há água!", o jovem retrucou: "Agora some 55 com 1". A que é isso?
E eu:
— Soma 65.
Agora junte tudo e você fará uma corda.
— E então?
— O que tem ali? Na vista.
— A oeste vejo montanhas muito altas, e a leste está o mar!
[Observo aqui que, naquela época, vi em resumo, como em miniatura, tudo o que mais tarde vi, como direi, em seu tamanho e extensão reais, e os graus marcados pela corda, correspondendo exatamente aos graus geográficos de latitude, foram os que me permitiram reter na memória, por vários anos, os pontos sucessivos que visitei durante a viagem na segunda parte deste mesmo sonho].
Meu jovem amigo prosseguiu: "Bem, essas montanhas são como uma costa, uma fronteira. A colheita oferecida aos salesianos se estende até este ponto, até aquele ponto. Há milhares e milhões de pessoas esperando por sua ajuda, esperando por fé."
Essas montanhas eram as Cordilheiras da América do Sul e aquele mar, o Oceano Atlântico.
— E como podemos fazer isso? Continuei; como conseguiremos levar tantas pessoas ao rebanho de Jesus Cristo?
— Como fazer isso? Veja!
E eis que chega Dom Lago [327] carregando uma cesta de figos pequenos e verdes: e disse-me: - Toma, Dom Bosco!
— O que você está me trazendo? — respondi, olhando para o conteúdo da cesta.
— Disseram-me para levar as coisas até ela.
— Mas esses figos não estão bons para comer; não estão maduros.
Então meu jovem amigo pegou aquela cesta, que era muito larga, mas tinha pouco fundo, e me apresentou, dizendo: - Aqui está o presente que estou te dando!
— E o que devo fazer com esses figos?
— E ele mencionou um ponto para mim [389]
Esses figos ainda estão verdes, mas pertencem à grande figueira da vida. E você está procurando uma maneira de fazê-los amadurecer.
— Como assim? Se fossem maiores!... poderiam amadurecer com palha, como outras frutas; mas tão pequenas... tão verdes... É impossível. Na verdade, você deve saber que, para que amadureçam, é preciso garantir que todos esses figos estejam presos à planta novamente.
— Incrível! E o que podemos fazer?
Vejam! — E ele pegou um daqueles figos e o mergulhou num jarro de sangue; depois o mergulhou em outro jarro cheio de água e disse: — Com suor e sangue, os selvagens voltarão a se apegar à planta e a agradar ao senhor da vida.
Pensei: Mas isso leva tempo para acontecer. E então exclamei em voz alta: "Não sei mais o que dizer."
Mas aquele querido jovem, lendo meus pensamentos, prosseguiu: Este evento será alcançado antes que a segunda geração seja concluída.
— E como será a segunda geração?
— Este presente é incontável. Haverá outro, e depois outro.
Falei confuso, confuso e quase gaguejando enquanto ouvia os magníficos destinos que estão preparados para nossa Congregação, e perguntei: - Mas quantos anos cada uma dessas gerações abrange?
— Sessenta anos!
— E depois?
— Quer ver o que acontece? Venha!
E sem saber como, me vi numa estação de trem. Havia muita gente reunida lá. Entramos no trem.
Perguntei onde estávamos. O jovem respondeu: "Preste atenção! Veja! Estamos viajando ao longo da Cordilheira. Você também tem a estrada aberta para o leste, até o mar. É mais uma dádiva do Senhor."
— E em Boston, onde estão nos esperando, quando iremos?
— Tudo a seu tempo. — Dito isso, ele tirou um mapa no qual a diocese de Cartagena estava destacada em letras grandes. [Este foi o ponto de partida.]
Enquanto eu olhava para aquele mapa, a locomotiva apitou e o trem começou a se mover. Durante a viagem, meu amigo falava muito, mas por causa do barulho do trem eu não conseguia entendê-lo completamente. No entanto, aprendi coisas novas e belíssimas sobre astronomia, navegação, meteorologia, mineralogia, fauna, flora e a topografia daquelas regiões, que ele me explicava com maravilhosa precisão. Ao mesmo tempo, ele salpicava suas palavras com uma familiaridade digna e, ao mesmo tempo, terna, que demonstrava o quanto ele me amava. Desde o início, ele segurou minha mão e me manteve afetuosamente perto até o fim do sonho. Às vezes, eu colocava minha outra mão livre na dele, mas ela parecia escorregar debaixo da minha como se estivesse evaporando, e minha mão esquerda só conseguia segurar a direita. O jovem sorriu diante da minha tentativa inútil.
Enquanto isso, eu olhava pelas janelas da caravana e via diante de mim diversas regiões estupendas. Florestas, montanhas, planícies, rios longos e majestosos que eu não acreditava serem tão vastos em regiões tão distantes de suas desembocaduras. Por mais de mil milhas, contornamos a orla de uma floresta virgem, ainda inexplorada hoje. Meu olhar adquiriu um poder visual maravilhoso. Não havia obstáculos para se estender por aquelas regiões. Não consigo explicar como esse fenômeno surpreendente ocorreu em meus olhos. Eu era como alguém em uma colina, vendo uma vasta região se estender a seus pés; se essa pessoa coloca diante dos olhos, a uma pequena distância, uma tira de papel, mesmo que estreita, ela não vê nada ou muito pouco; mas se ela remove essa tira ou simplesmente a levanta ou a abaixa ligeiramente, sua visão pode se estender até o horizonte mais distante. Isso foi o que aconteceu comigo com essa intuição extraordinária que adquiri; mas com esta diferença: conforme eu fixava meu olhar em um ponto, e esse ponto passava diante de mim, era como se cortinas individuais fossem se abrindo sucessivamente, e eu via distâncias infinitas e incalculáveis. Não só avistei as Cordilheiras mesmo à distância, como também contemplei as cadeias montanhosas, isoladas naquelas planícies imensuráveis, em todos os seus mínimos detalhes. [As de Nova Granada, Venezuela, as três Guianas; as do Brasil e da Bolívia, até às suas fronteiras mais distantes].
Então pude verificar a veracidade daquelas frases que ouvira no início do sonho, no grande salão localizado no grau zero. Vi as entranhas das montanhas e os recônditos profundos das planícies. Tinha diante dos meus olhos as riquezas incomparáveis destas terras, que um dia serão descobertas. Vi inúmeras minas de metais preciosos, minas de carvão inesgotáveis e depósitos de petróleo tão abundantes como nunca antes encontrados em outros lugares. Mas não era só isso. Entre os graus 15 e 20 havia uma baía muito ampla e comprida que começava num ponto onde se formava um lago. Então uma voz repetia: "Quando as minas escondidas no meio destas montanhas forem escavadas, a terra prometida aparecerá aqui, manando leite e mel. Será uma riqueza inconcebível."
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Ligação com Braslia
A capital do Brasil em está aproximadamente no paralelo 15°50' sul, portanto dentro da faixa mencionada por Dom Bosco. Em trecho nenhum Dom Bosco cita Brasília diretamente, e na verdade a suposto citação está em um contexto sobre os Salesianos no Brasil, que vieram para o País também em 1883.
O italiano Francesco Tosi Colombina tinha sido recrutado pela administração portuguesa, aparentemente na segunda metade ou fins da década de 1720, para ensinar os novos avanços da cartografia aos catografos brasileiros.
Em 9 de julho de
1852, o senador Holanda Cavalcanti (Visconde de Albuquerque) apresentou no Senado brasileiro um projeto para que o Império fizesse um levantamento de terras
destinadas à futura capital do Brasil. O projeto especificava uma
faixa entre 10° e 15° de latitude sul, entre os rios São
Francisco, Maranhão e Tocantins.
Nenhum destes eventos foi a frente, mas indicavam a Latitude 15° e foram anteriores a 1883, quando Dom Bosco descreveu na Itália, seu sonho ligado a Brasília. A possibilidade de Dom Bosco ter tido acesso a matérias jornalisticas sobre o assunto ou documentos em português do Império português ou brasileiro são pequenas, já que ele viveu praticamente toda sua vida no Piemonte, norte da Itália. Mas era uma pessoa estudiosa, curiosa com o Mundo e interessado na America do Sul, e naquele momento em especial com o Brasil, cuja a Ordem dos Salesianos, a sua Ordem, chegou ao Pais pela 1a. vez justamente no ano de 1883.
Em 1891, oito anos após a revelação do sonho de Dom Bosco na Italia, uma área de 14.400 km² foi estabelecida pelo Artigo 3º da Constituição de 1891 (a primeira Constituição republicana do Brasil), que determinou a reserva dessa extensão de terras no Planalto Central para a futura instalação da capital federal.
Alguns afirmam que as palavras do sonho de Dom Bosco, foram (são) propositalmente interpretadas e utilizadas para justificar a construção de Brasília, mas a ideia de uma Capital no planalto central do Brasil é anterior ao sonho de Dom Bosco.
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E o sonho de Dom Bosco sobre a America do Sul continua:
Entretanto, o comboio continuou a correr e a correr, e a virar para um lado e para o outro, até que finalmente parou. Aqui grande parte dos viajantes desembarcou, passando por baixo das Cordilheiras, indo para oeste.
Dom Bosco mencionou a Bolívia. A estação era talvez La Paz, onde um túnel que dava acesso à costa do Pacífico poderia conectar o Brasil a Lima por meio de outra linha férrea.
O trem recomeçou a se mover, seguindo em frente. Como na primeira parte da viagem, atravessamos florestas, entramos em túneis, cruzamos viadutos gigantescos, adentramos desfiladeiros, contornamos lagos e pântanos por pontes, cruzamos rios largos, percorremos pradarias e planícies. Passamos pelas margens do Uruguai. Pensei que fosse um rio de correnteza lenta, mas, na verdade, era muito extenso. Em certo ponto, vi o Rio Paraná se aproximando do Uruguai, como se fosse lhe entregar seu tributo de águas, mas, em vez disso, depois de correr quase paralelo por um trecho, afastou-se dele em uma ampla curva. Ambos os rios eram muito largos. [A julgar por esses poucos dados, parece que essa futura linha férrea, partindo de Ia-Paz, chegará a Santa Cruz, passará pela única abertura na Serra da Cruz e será cruzada pelo Rio Guapay; cruzará o Rio Parapiti na província de Chiquitos, na Bolívia; e atravessará o extremo norte da República do Paraguai.] A ferrovia entrará na província de São Paulo, no Brasil, e de lá terminará no Rio de Janeiro. De uma estação intermediária na província de São Paulo, partirá a linha férrea que, passando entre o Rio Paraná e o Rio Uruguai, conectará a capital do Brasil com a República do Uruguai e a República Argentina.
E o trem continuou descendo, virando para um lado e para o outro, e depois de muito tempo parou pela segunda vez. Ali, muitas outras pessoas desembarcaram do trem, que também passou por baixo das cordilheiras, rumo ao oeste. [Dom Bosco indicou a província de Mendoza, na República Argentina. Portanto, a estação era provavelmente Mendoza e aquele túnel levava a Santiago, a capital da República do Chile.]
O trem retomou sua jornada através dos Pampas e da Patagônia. Os campos cultivados e as casas dispersas indicavam que a civilização estava se apoderando daqueles desertos.
No início da Patagônia, passamos por um braço do Rio Colorado, ou Rio Chubut [ou talvez Rio Negro?]. Não consegui ver para que lado a correnteza fluía, em direção à Cordilheira ou ao Atlântico. Tentei resolver esse meu problema, mas não consegui me orientar.
Finalmente chegamos ao Estreito de Magalhães, ele estava observando. Desembarcamos. Ele tinha Punta Arenas diante de si. O chão por vários Kms estava coberto de depósitos de carvão, tábuas, vigas, madeira, imensas pilhas de metal, algumas brutas, outras trabalhadas. Longas fileiras de vagões de carga estavam sobre os trilhos.'











