O verdadeiro objetivo do conhecimento profético se alcança apenas pela reforma interior, e não pelo conhecimento acumulado em si mesmo.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Wahhabistas e Sionistas



Olá Srs.


Muitos vem acompanhando as recentes informações da mídia sobre a aproximação entre os dois principais aliados do EUA no Oriente Médio, a Arábia Saudita e Israel. 



Ações em conjunto entre países visando interesses em comum, são bem rotineiros, mas não neste caso, porque esta aproximação visa formar uma coalizão dos três países citados, EUA, Israel e Arábia Saudita, contra um País que eles consideram uma ameaça, o Irã.



No contexto falamos de um Estado oficialmente Judeu, Israel, e de outro oficialmente Muçulmano Suni (Sunita) de corrente Wahhabista, a Arábia Saudita, países que nunca mantiveram qualquer relação diplomática, se aproximando com o interesse declarado de fazer frente comercialmente e diplomaticamente, também se possível com armas, a um Estado oficialmente Muçulmano Shia (Xiita) de corrente Duodecimana, o Irã. 

E temos o EUA, Estado Laico de maioria cristã que em Maio/2017 firmou acordos de US$ 110 bilhões para a Defesa do Estado Saudita, e que no ano passado, ainda com Obama, assinou em setembro/2016 um acordo de cessão de US$ 38 bilhões para a Defesa de Israel. 

Embora um Estado Laico, existe forte influência religiosa, notadamente cristã, no cotidiano do EUA. Mas o País corre o risco de se tornar uma Nação cuja a Religião poderá ditar Regras em sua Política interna e na condução da Politica externa, já que o Presidente do EUA, Donald Trump, derrubou em Maio de 2017 a "Emenda Johnson" que limitava a ação de Grupos religiosos na Politica do EUA. A Emenda ainda está valendo porque o Congresso Norte-americano vetou sua derrubada e fez alterações no texto do Veto. A questão permanece em pauta.


- Acordo Nuclear com o Irã -

Em Abril/2017 o EUA contestou o Acordo nuclear assinado com o Irã em 2015, que basicamente visava monitorar os processos de enriquecimento de urânio por esta Nação, para prevenir seu uso em armas nucleares.

Segundo o Presidente Trump, “O Irã não respeita o espirito do Acordo”, isso apesar de a Agencia Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmar que o “Irã respeita seus compromissos no programa nuclear” e da Europa exortar que o Acordo seja respeitado pelo EUA, assim como a China e Rússia.

Na contrapartida das ameaças do EUA de se retirar unilateralmente do Acordo, o que representa grave ameaça ao Irã, a República Islâmica retomou um discurso mais duro e acelerou seus esforços bélicos. 


Cena da assinatura do Acordo Nuclear com o Irã, em Genebra



- Armas nucleares -

Dos quatro protagonistas citados, Irã, EUA, Israel e Arábia Saudita, dois possuem armas nucleares e misseis para lança-los, Israel e o EUA.


Em 2010, por exemplo, Israel rejeitou sua participação na Conferencia que visava discutir a desnuclearização do Oriente Médio. O Irã apoiou a Conferencia e é signatário do Tratado de Não Proliferação nuclear (TNP), assim como a Arábia Saudita e o EUA. Israel não é signatário.

Em outra iniciativa similar em 2011, o Irã boicotou por discordar dos critérios adotados. Em 2012 novas iniciativas da AIEA e do TNP, para que Israel aderisse ao Tratado e para que abrisse suas instalações atômicas para inspeção, não foram levadas a sério. Em 2015 nova iniciativa, mas novamente Israel e o EUA se negaram a participar, assim como até hoje, Israel se nega a abrir suas instalações nucleares aos inspetores da AIEA.

Especulações atuais (2017) informam sobre a possibilidade de o Irã ter como desenvolver até 10 bombas atômicas até meados de 2019. Isso é uma possibilidade baseada em técnicas, não em evidências reais.

Estimativas bem aceitas por especialistas, dão conta de que Israel possui entre 80 e 200 ogivas para pronto uso.

Já o arsenal nuclear norte-americano tem em torno de 6.500 ogivas nucleares e termonucleares, com 72% delas (em torno de 4.700) para pronto uso. Só em submarinos nucleares, armas extremamente furtivas, o EUA possui mais de 330 ogivas.

**

- Definições básicas -

Antes de darmos sequência, vamos verificar rapidamente o que significa cada termo. 

São definições básicas, portanto e para tudo, cabe o seu aprofundamento.

O que são Muçulmanos Sunitas (Sunis), Xiitas (Shias)? O que é Duodecimano e Wahhabista? O que é Sionismo? 

O Islam surgiu aonde é hoje a Arábia Saudita, no ano 610 da Era Cristã, no deserto do Hejaz, pelo então comerciante Mohammad Ibn Abdallah (em português conhecido por "Maomé"), que segundo a tradição, recebeu a visita do Arcanjo Gibrail (Gabriel) em um dos retiros espirituais que frequentemente realizava. 



Nesta ocasião, Gibrail lhe recitou a primeira Surata (capítulo) do livro sagrado islâmico, o Corão (Alcorão), que significa aproximadamente “Recitação”.

Muhammad  recebendo sua primeira Revelação, através de Gibrail (ou Jibril) 


Mohammad passou a pregar a crença no DEUS único (ALLAH em árabe), em uma terra de diversas crenças politeístas. Ele e seus seguidores sofreram forte perseguição inicial. 

Usando como doutrina a nova religião que assimilava tradições judaicas, combinadas a conceitos cristãos e ideais das tribos árabes, Mohammad conseguiu unificar toda a Arábia sob uma nova Crença religiosa, o Islamismo.

"Islam" é uma palavra árabe que significa "submissão" ou "rendição", e aquele que segue a fé islâmica é chamado de muçulmano.


**


- Sunis e Shias -

Existem dois grandes grupos no Islam, os Sunitas (Sunis) que representam uns 85% da Religião, e  os Xiitas (Shias) que são maioria em alguns poucos países, como o Irã, o Bahrein, o Iraque e o Azerbaijão, e são muito representativos em países como o Libano ou o Yemen.




Após a morte do Profeta Muhammad (Maomé) em 632 da nossa era, houve uma forte disputa sobre a identidade de seu sucessor, que fez com que os seguidores do Islam se dividissem.

Os Sunis acreditavam que Muhammad não tinha herdeiro direto na condução do Islam, e que um líder religioso deveria ser escolhido dentre as pessoas da incipiente comunidade islâmica. Eles escolheram Abu Bakr, amigo e conselheiro de Muhammad como seu sucessor.

Suni deriva da palavra Sunnah, que significa aproximadamente "os caminhos trilhados pelo profeta", textos que reúnem os preceitos islâmicos estabelecidos no século VIII, baseados nos ensinamentos de Muhammad. 

Os Shias acreditavam que somente ALLAH (DEUS em árabe) poderia selecionar os líderes religiosos, e portanto todos os sucessores de Muhammad deveriam ter consanguinidade com ele. Eles sustentaram que Ali ben Abu Talib, primo e genro de Muhammad, casado com sua filha Fatimah, era o legítimo herdeiro da liderança da religião Islâmica após a sua morte. Shia deriva do termo árabe “Shiat Ali” ou "do partido de Ali”.

A diferenciação entre Sunis e Shias, embora tenha causas ancestrais bem definidas, é incentivada e mantida por disputas pelo Poder, tanto regionais como sobre todo o Mundo Muçulmano.

O maior teatro de operações atual, na disputa entre os dois ramos do Islam, chama-se Yemen, País mergulhado em um conflito civil desde 2015, incentivado pela Arábia Saudita que apoia o Governo Suni, e o Irã que apoia os revoltosos Houthis, que são Shias.


Este conflito, além de já ter vitimado dezenas de milhares de pessoas, mergulhou o País na Fome e no Caos sanitário com números gigantescos: estima-se que 8 milhões de Yemenitas, de uma população de 27 milhões, passam fome extrema, e mais de 1 milhão estão infectados com a Colera.

Criança Yemenita



- Sunis e Shias possuem subdivisões - 

O Ibadismi (ou Ibadismo) e o Sufismo (o chamado misticismo islâmico) são correntes independentes do Islamismo, embora sejam mais afinadas aos Sunis. 

O Mustaali, Xiismo Duodecimano (acreditam na existência dos 12 Imãs), Zaiditas, Alevitas e o Ismaili, são correntes islâmicas de orientação Shia. 

O Hanafismo, Hanbalismo, Maliquismo, Shafi'i e o Salafismo (Wahhabismo), são correntes islâmicas de orientação Suni.

O Estado Islâmico e sua autoafirmação de que representa o Islamismo, de forma alguma procede. Na verdade eles atuam na linha de pensamento de uma das várias vertentes do Islam Sunita, uma das mais radicais, o Salafismo ou Wahhabismo, a mesma linha ideológica, religiosa e política da elite Saudita e do conjunto de sua Sociedade.

O Wahhabismo ou Salafismo é geralmente descrito como "ortodoxo", "extremista", "fundamentalista" e "puritano". Seu principal objetivo autodeclarado é restaurar o "culto monoteísta puro”. É acusado de ser "uma fonte de terrorismo global" e por causar desunião na comunidade muçulmana global, rotulando os muçulmanos não-wahhabistas como apóstatas (basicamente uma pessoa que renuncia ou renega crença ou religião da qual fazia parte, ou ainda alguém que abandona os princípios de Fé dos quais era ou deveria ser defensor).


A bandeira do ISIS,

o texto branco sobre o fundo negro é o começo da “chahada”, a profissão de fé muçulmana.

Os símbolos foram 'tomados' pelo Grupo, para formar sua bandeira




***


- Sionismo -

O Sionismo, também chamado de Nacionalismo Judeu, é um movimento político e social que defende a autodeterminação do povo judeu, e defendeu a existência de um Estado nacional judeu independente que foi criado em 1948, o atual Estado de Israel. no território onde historicamente existiu o Reino de Israel (Eretz Israel).

Também propõe o retorno de todos os judeus ao Estado de Israel, e se opõe à assimilação dos judeus pelas sociedades dos países aonde vivem.

Segundo o pensamento sionista, a Palestina foi ocupada por estranhos, sendo isso uma das raízes do conflito histórico entre palestinos e israelenses. Para o Sionismo, cabe detectar, neutralizar ou denunciar ameaças à existência de Israel ou a seu caráter judeu. Existe também o sionismo cristão,  que representa o apoio político, financeiro e moral dado ao Estado de Israel por cristãos, baseado no fato de que a supremacia de Israel representa a vontade de DEUS, e disso decorre o cumprimento de profecias Bíblicas. 

Nem todos os Judeus são Sionistas, e Sionismo não é Judaísmo, assim como ser antissionista não representa necessariamente ser antissemita.



O Sionismo surgiu na segunda metade do Século 19 na Europa, e é uma forma de pensamento mas também um Movimento Social e Político que utiliza por base o Judaísmo.

O Judaísmo é uma das três religiões abraâmicas (oriundas de Abraão), junto com o Cristianismo e o Islamismo, sendo que é a que tem o menor numero de adeptos, em torno de 15 milhões de indivíduos. O Islamismo em sua totalidade conta com aproximadamente 1,6 bilhão de pessoas, e o Cristianismo em sua totalidade, aproximadamente 2,2 bilhão. Estima-se que por volta do ano 2070, que o Islamismo superará o Cristianismo em numero de adeptos.



O Judaísmo é a Religião Monoteísta existente mais antiga do Mundo, tendo se iniciado por volta do ano 1.800 anterior a Era Comum, nosso calendário atual, portanto há quase 4 mil anos, quando Abraão teria recebido um sinal de DEUS para abandonar o politeísmo e para viver em Canaã (atual Palestina e Israel).

Isaac, filho de Abraão, teve um filho chamado Jacó. Este luta, num certo dia, com um anjo de Deus e tem seu nome mudado para Israel. Os doze filhos de Jacó dão origem as doze tribos que formaram o povo judeu.

'Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu.
E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele.
E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares.
E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó.





Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste.'





Os críticos do sionismo o consideram um movimento colonialista e racista, justamente porque abarca apenas o Direito dos judeus, defendo o chamado ‘Nacionalismo Étnico’, e desconsidera, por exemplo, os Direito dos demais povos que historicamente se estabeleceram nas terras aonde no passado foi Eretz Israel, ou ainda porque esta forma de pensamento estabelece diferenciação legal entre os cidadãos de Israel, baseado em sua origem religiosa/étnica.

A Resolução 3379 da Assembleia Geral das Nações Unidas, adotada em 10 de novembro de 1975, considerou que o sionismo equivale a racismo. A resolução foi anulada pela Resolução 4686 da Assembleia Geral das Nações Unidas de 16 de dezembro de 1991.

**
- Coexistencia -


Postas as explicações acima, percebemos as dificuldades de uma associação entre Sionistas e Wahhabistas, já que as linhas de pensamento não admitem muitas concessões, e seus interesses excluem ou diminuem os interesses dos demais que não comunguem de seus padrões de pensamento e comportamento.

Em suma, é uma coexistência complicada, embora existam semelhanças também, sendo a principal delas, as relações comerciais e estratégicas dos dois países com o EUA, assim como a dependência de ambos do poderio bélico norte-americano.

Mas há outras semelhanças, ainda que isso não os aproxime, por exemplo, os dois países pautados pelas linhas de pensamento comentadas, Israel e Arábia Saudita, respondem aos dissidentes de forma semelhante, com o uso de força, detenção arbitrária, intimidação e com regularidade, a tortura.  No Irã a situação não difere muito.

Israel por exemplo, tem Leis que retiram a Cidadania de nascidos no País ou que cassam Mandatos eletivos, baseadas em ‘atividades antipatrióticas’, que podem incluir desde protestos e passeatas, a discursos contra o Judaísmo ou contra a Política Oficial do Governo na mídia local ou no Knesset, o Parlamento Israelense.

Prisões de crianças árabes e de adultos palestinos sem qualquer acusação formal, são corriqueiras. Deportação de pessoas de grupos dissidentes internos e censura e repressão para grupos como “Judeus para Jesus” ou “Neturei Karta”, não são incomuns.

Judeus antissionistas com Yasser Arafat

.. com Ahmadinejad em Teerã

.. com o Aiatolá iraniano Mohammad Ali Taskhiri

**

Mas a situação em Israel nem de longe é tão difícil quanto na Arábia Saudita ou no Irã.

Israel, embora sem Constituição, tem eleições democráticas e os Direitos Humanos básicos são reconhecidos, ainda que com regularidade não sejam aplicados de forma integral nos territórios ocupados e contra as dissidências internas, conforme comentado anteriormente. Israel tem internet livre, Mulheres tem Direitos iguais e exercem quaisquer funções, ainda que com a resistência de Grupos Ortodoxos internos. Demais Religiões são permitidas, embora a Lei Judaica seja a prática em variadas situações.


*

O Reino Saudita também não tem Constituição, e não possui o reconhecimento de Direitos Humanos básicos. Há eleições distritais, mas não para o Governo central, que é exercido em forma de Reinado absolutista e cuja a governabilidade é dividida com um Conselho religioso. 

Mulheres são tratadas como cidadãos de segundo plano, a internet é censurada, outras Religiões são proibidas, e a Xaria (nome dado ao direito islâmico) comanda variados aspectos da vida cotidiana. O termo significa "caminho para a fonte" ou "rota para a fonte [de água]", e é a estrutura legal dentro do qual os aspectos públicos e privados da vida do adepto do islamismo são regulados.


*

E o Irã? O País Persa reconhece 4 religiões em sua Constituição, inclusive o Judaísmo e o Cristianismo. 

Há liberdade oficial de culto, mas não é simples exerce-la em todo o País, embora existam Comunidades pequenas mas representativas de Judeus e Zoroastristas no País. Mulheres estudam, trabalham, viajam e dirigem, mas há dificuldades na interação social principalmente por conta das Leis de Moralidade que conduzem a vida do País. Há eleições para o Governo Central, cuja a governabilidade é dividida com um Conselho religioso. A Elite religiosa praticamente divide o Poder com a Elite política, o que muitos consideram na prática, uma Teocracia. A Xaria também está presente na regulação da vida cotidiana, e a internet é censurada.



Uma das conclusões possíveis da pequena análise acima, é que nos três países a questão da Religião está presente na própria essência da existência do Estado, não como um elemento distante, mas como a ‘pedra angular’ sobre a qual estes Governos e suas Políticas atualmente existem. 

**

- O inimigo do meu inimigo é meu amigo? -


Existe um forte motivo para a inusitada aproximação de Israel com os Sauditas, e já comentamos que é o Irã.

Israel busca se contrapor ao Irã, ao Hezbollah no Libano e também contra a Síria.

Portanto busca alinhar suas políticas com a Arábia Saudita, ainda que não oficialmente, para isolar e enfraquecer os inimigos em comum. Para a Arábia Saudita dá-se exatamente o mesmo, pois considera o Regime de Assad, o Hezbollah e o Irã como inimigos. Nestes esforços isolados, vem surgindo a percepção de que a união poderá ser útil a ambos, isso capitaneado pelo EUA.

Esta aproximação vem sendo buscada há alguns anos, também porque para Israel poder atacar o Irã com melhores chances de sucesso, precisaria atravessar o espaço aéreo de alguns países, e para tal precisaria das permissões ou sua força de ataque seria combatida, e sua aproximação no território iraniano rapidamente chegaria ao conhecimento do inimigo. Portanto rotas de ataque ao Irã atravessando a Siria, Turquia, Iraque ou Jordânia não são as melhores.

Ou Israel apenas precisaria atravessar o espaço aéreo Saudita, que não avisaria o Irã e nem atacaria os aviões da IDF (Forças armadas de Israel).

Existem três rotas básicas que Israel, em tese, poderia utilizar isoladamente ou simultaneamente em um ataque ao Irã:

- Mediterrâneo, depois cruzando território turco até o Irã (rota norte);

- Jordânia (ou Siria) e Iraque, chegando ao Irã (rota central);

- Arábia Saudita, cruzando o Golfo Pérsico e chegando ao Irã (rota sul).



A anuência dos Sauditas a um ataque contra o Irã, levaria a outras Monarquias do Golfo, todas alinhadas com o Reino Saudita, a serem mais complacentes com uma ação de Israel, mesmo porque a maioria destas Monarquias, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Omã, Qatar e Bahrein, tem discursos hostis em relação ao Irã.



Outro aspecto relevante é que com o apoio direto ou indireto dos Sauditas e de outros, o EUA poderá atuar com forte apoio efetivo e logístico a Israel, inclusive em território Saudita e em outras Monarquias da região. A maior base militar do EUA no Oriente Médio fica no Qatar, mas em verdade o Irã é praticamente cercado de bases militares do EUA, navais, aéreas e de infantaria.

Bases militares do EUA ao redor do Irã


Devido as distâncias e estratégias de ataque e fuga envolvidos em uma ‘aventura bélica’ de Israel contra o Irã, os caças israelenses precisariam de reabastecimento aéreo, então dá para imaginar a dificuldades de se realizar isso sobre território de países hostis, já que falamos aqui de uma força de ataque grande o suficiente para chances reais de sucesso contra o Irã.

Israel precisará de ‘amigos’ nesta empreitada.

**

- O EUA e o Irã -

Além destes fatores existe o EUA, o inimigo do Irã que tem profundas e longevas relações comerciais e estratégicas com Sauditas e Israelenses, assim como tem tido décadas de ameaças e conflitos diretos e indiretos com o Irã, a partir da Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a Monarquia no Irã.

Líder da Revolução Iraniana, Aiatolá Sayyid Ruhollah Musavi Khomeini

Até então o País era um aliado, já que a Dinastia Pahlevi era simpática ao Ocidente, e o Governo (1941-1979) do último monarca do Irã, o  Mohammad Reza Pahlavi, era próximo do EUA. Quando a Revolução tomou o Poder no País, os interesses do EUA e os interesses ocidentais em geral no País foram duramente atingidos, com a perda de US$ bilhões investidos principalmente na indústria do petróleo.

Xá do Irã Mohammad Reza Pahlavi com a Rainha Farah Pahlavi
Morreu no exílio no Egito, em Julho de 1980


Foi através do EUA que o então aliado e líder iraquiano, Saddam Hussein, iniciou em 1980 a Guerra Irã x Iraque, que fez mais de 1 milhão de mortos em 8 anos de combates.




**

O reconhecimento de Jerusalém por Donald Trump, como Capital de Israel, ocorreu tão recentemente que ainda não é possível compreender a totalidade das consequências. Podemos, sem dúvida, esperar um aumento do discurso terrorista na região.


Mas suas consequências em relação a possível aliança Saudita-Israelense, entendo que a atitude de Trump tornou ainda mais complexa esta aproximação. Se a situação levar a uma nova Intifada (“Agitação, Levante ou Revolta”) dos Palestinos, por exemplo, Israel terá problemas em suas próprias fronteiras e como costuma enfrenta-los com extremo rigor, vitimando muitos no processo, isso pode retardar qualquer aproximação com Sauditas.

Outra possibilidade neste cenário de reconhecimento de Jerusalém seguida de uma forte repressão aos palestinos, realizada por Israel, é que a Arábia Saudita se voltasse a neutralidade, ou pior, que se unisse ao Irã no apoio aos Palestinos e por Jerusalém Oriental.

Seria uma reviravolta inesperada, mas não impossível. A Sociedade Saudita é baseada no pensamento Wahhabista, e ainda que Sunis Sauditas tenham fortes desavenças com Shias Iranianos, ambos têm mais afinidades de comportamento, pensamento e Crença, do que Sauditas com judeus Israelenses.

Portanto, para mim ainda é prematuro poder avaliar o impacto do reconhecimento de Jerusalém para a questão do Irã, mas sem dúvida isso é evento de forte repercussão global, e que tem grande potencial profético. 

A partir de agora, todos os grupos judeus e cristãos que defendem a construção do Terceiro Templo em Jerusalém, passam a ganhar força, e como sabemos, segundo o entendimento de muitos sobre os Escritos, disso depende a vinda de Mashiach, o Messias.


**

- E um ataque contra o Irã? -

Considerar um ataque preventivo de Israel contra alvos no Irã, não é algo simples de se realizar.



Além das dificuldades já citadas, temos o próprio ataque, que deverá contemplar múltiplos alvos no País, muitos deles em instalações subterrâneas inatingíveis mesmo para Bunker Busters.


Isso ao mesmo tempo em que os atacantes deverão se defender da força aérea iraniana e dos variados sistemas de defesa antiaérea do País, bem como deverão se defender do esperado contra-ataque que deverá chegar em forma de uma chuva de misseis balísticos contra Israel, convencionais, mas altamente destrutivos. Considerando o território diminuto de Israel, a possibilidade de muita destruição e muitas mortes é bem alta e tem que ser considerada.

Atacar o Irã com um resultado que se poderia chamar de ‘Sucesso tático’, seria algo muito difícil de ser realizado, e penso que isso não seria obtido com um ataque convencional ou com apenas uma onda de ataque.
Mapa dos principais alvos em potencial ni Irã


Então do o que realmente se fala quando se fala em atacar o Irã? Até agora não ví nenhuma liderança norte-americana, israelense ou saudita, realmente dizer o que isso significaria, porque sabem o que iniciar este ataque e ter sucesso nele, realmente representaria.

O que dirão as massas muçulmanas vendo os mortos e a destruição de seus pares por Israel, em um ataque preventivo, apoiados por Governos islâmicos? Ou o que dirão os Israelenses e seus aliados quando os primeiros alvos em Israel foram atingidos por misseis em contra-ataque?

Mas e se Israel usar suas armas nucleares? Nenhuma Nação se atreveu, até o momento, lançar um ataque nuclear preventivo. 

Se isso ocorresse por parte de Israel contra o Irã, as consequências seriam temerosas a todos nós, mas principalmente ao próprio Israel. A comoção contra Israel realizar um ataque nuclear preventivo, viria de todos os lados, e não se pode desconsiderar aliados iranianos como a China, Rússia e mesmo a Coréia do Norte. Ficariam assistindo?

Israel, Judeus e seus interesses pelo Mundo virariam alvos terroristas preferenciais, o antissemitismo aumentaria. A corrida armamentista nuclear iria disparar, e não é absurdo dizer que tal ato poderia até mesmo, levar a terceira guerra mundial.

Atacar o Irã preventivamente com armas nucleares, seria uma loucura, mas me parece ser a única forma de se atingir os objetivos que se pretendem, atacando o País, que é principalmente acabar com suas instalações de pesquisa nuclear e de desenvolvimento e lançamento de misseis. 

Do contrário, um ataque convencional só irá despertar o Irã e seus aliados, para a guerra.



*
**

- Profeticamente falando -

Não me recordo de nenhuma guerra profetizada de Israel contra o Irã, fora do cenário de Gog e Magog, e neste cenário o Irã estaria alinhado com outros países e povos, não seria uma guerra isolada entre os dois países, mas uma guerra dentro do contexto da ascensão do anticristo, a partir de um Falso Acordo de Paz com Israel.

Em Ezequiel, livro presente nas três religiões abraâmicas, Judeus, Cristãos e Islâmicos, há a narrativa sobre Gog e Magog, citando os povos envolvidos :

"Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, dirige o teu rosto contra Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque, e Tubal, e profetiza contra ele. E dize: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal; E te farei voltar, e porei anzóis nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos com primor, grande multidão, com escudo e rodela, anejando todos a espada; Persas, Puche, e os de Pute com eles, todos com escudo e capacete; Gomere todas as suas tropas; a casa de Togarma, do extremo norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo." (Ezequiel 3:1-6)



- Jafé é associado a uma etnia branca que ocupou a área da atual Turquia, Armêrnia , formando um povo chamado pelos gregos de Citianos (Scythians – Sakas ou Sakai), que se espalhou também por toda a Ásia, chegando até mesmo na Índia, e posteriormente também Rússia e a Europa.

- Meseque e Tubal, os povos descendentes de Jafé que ocupam as regiões citadas, novamente, Turquia, Armêrnia e Rússia.

- Persas = iranianos;

- Puche, os povos negros do chifre da áfrica (etiopes, núbios, sudaneses);

- Pute, os ancestrais dos libios e outros povos árabes da áfrica do norte, como os egipcios, Algerianos, Tunisianos e Marroquinos.

- Gomer, ligado aos povos do norte do mar negro

- Togarma refere-se principalmente aos povos da atual Georgia, Armenia e Azerbaijão.



Gog e Magog (Torah)

"E naquele dia, quando Gog vier contra a terra de Israel – diz o Eterno, D’us – Incendiar-se-á Minha fúria! Em minha flamejante ira determinei que, certamente naquele dia, haverá um grande terremoto na terra de Israel. E tremerão ante Minha presença os peixes do mar, as aves do céu, as bestas do campo e todas as coisas que se arrastam no solo e todos os homens que estão sobre a face da terra; montanhas serão arrasadas; íngremes rochedos ruirão e cairão por terra todos os muros." (Yechezkel 38:18-20)

Também em Yechezkel 38-39, Zecharyah 12-14, Yirmeyahu 30, Daniel 11-12, Yoel 4 e Tehilim 83.


Yajuj e Majuj (Corão)

"Disseram-lhe: Ó Zul Karnain, Yajuj e Majuj são devastadores na terra. Queres que te paguemos um tributo, para que levantes uma barreira entre nós e eles? Respondeu-lhes: Aquilo com que o meu Senhor me tem agraciado é preferível. Secundai-me, pois, com denodo, e levantarei uma muralha intransponível, entre vós e eles. Trazei-me blocos de ferro, até cobrir o espaço entre as duas montanhas. Disse aos trabalhadores: Assoprai (com vossos foles), até que fiquem vermelhas como fogo. Disse mais: Trazei-me chumbo fundido, que jogarei por cima. E assim a muralha foi feita e (Yajuj e Majuj) não puderam escalá-la, nem perfurá-la. Disse (depois): Esta muralha é uma misericórdia de meu Senhor. Porém, quando chegar a Sua promessa, Ele a reduzirá a pó, porque a promessa de meu Senhor é infalível. Nesse dia, deixaremos alguns deles insurgirem-se contra os outros e a trombeta será soada. E os congregaremos a todos."(Corão Sagrado 18:94 ao 99)

"Até ao instante em que for aberta a barreira do (povo de) Yajuj e Majuj e todos se precipitarem por todas as colinas. E aproximar a verdadeira promessa. E eis os olhares fixos dos incrédulos, que exclamarão: Ai de nós! Estivemos desatentos quanto a isto; qual, fomos uns iníquos!" (Corão Sagrado 21:96 e 97)





Observação

O trecho do Corão acima "Secundai-me, pois, com denodo, e levantarei uma muralha intransponível, entre vós e eles" e " E assim a muralha foi feita e (Yajuj e Majuj) não puderam escalá-la, nem perfurá-la. Disse (depois): Esta muralha é uma misericórdia de meu Senhor. Porém, quando chegar a Sua promessa, Ele a reduzirá a pó, porque a promessa de meu Senhor é infalível."


Isso não lembra de alguma forma, o Muro construído por Israel em West-Bank? 






Compre o Livro "O que são Profecias"

Compre o Livro "O que são Profecias"
Links para Compra do Livro

Participe do MidiaeProfecia Espaços

Contato

Minha foto
Curioso sobre Profecias e assuntos relacionados.